
1. O que é o “Repertório de Bolso”?
O termo refere-se a citações ou obras (como a “Utopia” de Thomas More ou o conceito de “Instituições Zumbis” de Zygmunt Bauman) que os alunos guardam como um “coringa” para aplicar em qualquer redação.
- O problema: O uso costuma ser mecânico, forçado e pouco aprofundado.
- A consequência: Se o avaliador perceber que a referência foi inserida apenas como um “enfeite teórico” ou de forma automática, o repertório será considerado não produtivo, impedindo que a nota na Competência II chegue ao nível máximo.
Em suma, não existe uma lista que dite quais repertórios são de bolso e quais repertórios não são, afinal, se existisse, seria só decorar aqueles aqueles que estão na lista do não. O segredo não está em condenar repertório X ou Y, está em fazer o uso correto de um conhecimento que venha de outra área do conhecimento, como forma de contrastar, exemplificar ou explicar a ideia trabalhada ao longo da argumentação.
2. Exemplos de como não usar (Uso raso)
- Thomas More (Utopia): Citar que a obra retrata uma cidade perfeita apenas para contrastar que “a realidade brasileira é adversa” é considerado um uso genérico e decorativo, pois não explora os aspectos conceituais da obra nem estabelece uma conexão real com o problema.

A imagem acima mostra o exemplo dado pela própria cartilha do participante 2025 sobre o que configura um repertório de bolso.
- Zygmunt Bauman (Instituições Zumbis): Aplicar o conceito apenas para dizer que o Estado falha, sem uma explicação aprofundada ou contextualização específica ao tema, caracteriza o “repertório de bolso”. O texto acaba se apoiando na autoridade do autor em vez de construir um raciocínio próprio.
3. Como não errar: A Trindade do Repertório Nota 1000
Para que um conhecimento externo seja válido, ele precisa cumprir três critérios simultâneos:
- Legitimidade: Deve pertencer a uma área do conhecimento reconhecida (ciência, artes, literatura, história, filosofia, etc.).
- Pertinência: Deve ter uma relação direta com o tema proposto, e não apenas com o assunto geral.
- Produtividade: É o critério mais importante para evitar o “repertório de bolso”. Você deve explicar por que citou aquela referência e como ela sustenta a sua tese. O repertório deve estar “amarrado” ao argumento.
4. Dicas Práticas para um Uso Produtivo
- Fuja do óbvio: Em vez de usar as mesmas frases de sempre, procure referências específicas, como documentários, letras de música (ex: Djonga ou Racionais MC’s), filmes ou fatos históricos menos comuns.
- Contextualize: Não jogue a citação solta. Explique quem é o autor e do que trata a obra antes de conectá-la ao tema.
- Mostre autoria: A cartilha destaca que o aluno deve ser capaz de mobilizar conhecimentos construídos ao longo de sua formação, incluindo vivências e leituras que vão além dos manuais de redação.
- Conexão crítica: Se usar um conceito sociológico, mostre que você entende o conteúdo citado e que ele realmente ajuda a validar o seu ponto de vista.

Observe os tópicos apresentados pela cartilha e tenha isso como base em suas redações, explique a escolha dessa citação, explique por que ela faz sentido, articule sua citação ao ponto de vista defendido. Como esse repertório contribui para a defesa do seu posicionamento?
Texto por: André Ribeiro, professor de redação, licenciado em Letras e graduando em Direito.
Leave a comment